Elizabeth Karth usava um vestido longo colorido em verde
musgo, exatamente da mesma cor de seus olhos.
Ela estava em queda livre, podia sentir as nuvens, podia toca-las. O vento fazia com que cada fio de
seu longo cabelo vermelho parecessem finas gotas de sangue jorrando por todos os
lados.
A jovem estava desesperada, esperava que o chão finalmente chegasse e sua vida terminasse, mas isso não acontecia. Ela estava em uma queda eterna, cercado por nuvens, pássaros e o vento.
- Um sopro – sussurrou uma voz que Elizabeth já ouvirá, mas não conseguia lembrar a quem pertencia.
- Quem é você? Ajude-me, essa queda, eu não aguento mais! – Elizabeth implorou ajuda ao estranho, esperou por uma resposta, mas a espera foi em vão.
Eliza fechou os olhos, não queria mais olhar e nem sentir as nuvens, só queria que tudo terminasse. Quando voltou a abrir seus olhos já não estava mais em queda livre, agora a jovem estava em uma floresta, só que não era exatamente o tipo de floresta que Eliza conhecia, as árvores estavam lá, os arbustos, flores e folhas, mas tudo estava sem vida, todo estava em preto e branco.
A jovem olhou para cima, era impossível ver o céu, as copas das arvores eram o céu naquele lugar. Extremamente negro como a noite mais escura e mais ausente de estrelas.
A sombra de Eliza dançava ao seu redor, fazia brincadeiras e piruetas enquanto a jovem observava pasma.
‘’Acho que estou morta” pensou Elizabeth, só que a pobre garota não se lembrava de ter morrido.
Sua sombra deixou o chão, agora a estava encarando. A sombra sorriu, deixando um vazio onde o sorriso não podia ser preenchido, abraçou Elizabeth e desapareceu.
- Um sopro, um sopro, um sopro...’ A voz ecoava por todos os lados, era ensurdecedor. Elizabeth tampou os ouvidos com as mãos, mas o som continuou, era como se estivessem em sua mente, como se fossem seus pensamentos e então de súbita, a voz parou.
- Deixe sua alma em paz, garota. Ela é sua, pelo menos a alma... – Elizabeth virou-se e finalmente conseguiu ver quem dava origem a aquela voz, já tinha visto aquele homem, mas não conseguia lembrar seu nome.
- Você...você levou aquela espada negra até meu pai! Seu nome era....
- Zorem? Sim, mas guarde o nome para você, menina tola...
“Tola é sua mãe!” Eliza pensou em dizer, mas não pretendia ofender a aquele homem, talvez ele fosse sua única saída daquela estranha floresta sem cores. A menina colocou o peso do corpo no pé esquerdo, fitou o homem escuro em seu manto azul encapuzado por um longo tempo sem dizer nenhuma palavra. O vento soprou, Elizabeth suspirou e finalmente falou:
- Onde estamos? Me ajude a sair daqui, por favor!
- Estamos em um lugar onde coisas horríveis e também lindas podem acontecer, estamos em um sonho.
“Eu sou aquele que está em seus sonhos” foi a única coisa frase que Zorem direcionou a ela no dia em que o conheceu, Elizabeth enfureceu:
- Isso é um sonho? Então basta eu tirar minha própria vida que estarei de volta ao mundo, não preciso da sua ajuda seu maldito nortenho!
- Nortenho? Como tem tanta certeza da minha origem?
Elizabeth revirou os olhos
- Sua cor, você é escuro, todo nortenho é assim
- E só existe norte e sul? – respondeu Zorem e logo depois deu um sorriso cheio de dentes.
O homem misterioso removeu seu capuz revelando um ralo cabelo escuro, olhou para cima, sorriu e então sentou-se no chão. Elizabeth o fitou por um longo momento, estava preparada para ir até outro lugar quando Zorem fez sinal para que ela também se sentasse, Elizabeth puxou uma mecha de cabelo para trás e respondeu ao sinal:
- Você acha que vou ficar aqui conversando com você? Que imbecil! – A jovem deu as costas para Zorem e saiu vagando pela floresta, mas parou ao som da voz de Zorem:
- E se eu lhe contar uma lenda?
- Que tipo de lenda? – Respondeu Elizabeth, sem olhar para Zorem
- Uma lenda horrível, de um reino horrível
Eliza adorava lendas e histórias, ainda mais quando eram trágicas, decidiu sentar-se para ouvir.
Zorem sorriu e começou:
- Muito longe daqui, existem dois reinos que se diferem por localizações, mas na verdade são o mesmo pedaço de terra, por isso vamos levar em conta que são apenas um. Este é um lugar frio e horrível, cheio de monstros e criaturas terríveis.
Estes monstros comportam-se de maneira abominável, destroem tudo o que tocam e violam a mais pura das flores, apenas por achar que tem poder sobre tudo. Estes monstros desprezam o silêncio, adoram o som da própria voz e devoram a alma uns dos outros, deixando apenas o corpo.
O reino em questão é um lugar frio e sujo, os monstros vagam durante a noite e mais ainda durante o dia. Às vezes, alguns desses monstros não conseguem alimentar-se e então imploram por ajuda e na maioria das vezes, acabam devorando a própria honra.
Mas em meio a tanto terror, existem duas fadas, que observam tudo em silêncio e podem um dia acabar com todo esse sofrimento. Essa é a lenda que você nasceu para evitar, essa é a lenda do eterno e longo silêncio. – Ao fim da história, o silêncio tomou conta dos dois. Vozes tomaram conta da mente de Elizabeth:
- Corra, minha flor, Illar...procure por Illar....eu te amo... –
“Essa voz?” Elizabeth sabia de quem era, mas apenas por um segundo, logo depois ficou confusa e não soube ligar a voz a lembrança súbita que teve.
- Lenda do silêncio? Esse é o nome da lenda? Nunca ouviu falar! – a jovem finalmente quebrou o silêncio. Zorem baixou a cabeça e fitou o chão, a sua expressão era de pavor
- O que você sabe sobre as lendas? menina tola...
Elizabeth sorriu:
- Sei que as amo. As canções de guerra, os monstros, reis e demônios! Todas essas coisas só existem nas lendas, eu gostaria de viver em um mundo assim;
Zorem agora tinha uma expressão maníaca no rosto:
- Interessante, mas saiba que as lendas são como o silêncio, podem expressar nossos medos ou podem simplesmente ser sábias, talvez até mais do que todas as palavras do mundo. Elizabeth fechou a cara:
- Essa frase não fez o menor sentido. Qual era o nome do reino da lenda?
Zorem continuava a fitar o chão.
- Maros ou Taros, tanto faz
Elizabeth não entendeu.
- Maros é o nome do meu reino e Taros é o nome do reino do norte e saiba que não existem monstros lá, eu já procurei
Zorem ergueu a cabeça e fitou a jovem nos olhos. Sorriu e disse:
- Tem certeza?
Elizabeth não entendeu o que ele quis dizer com isso, quando pensou em perguntar, acordou, estava deitada em seu quarto e lembrava-se que seu dia seria bastante cheio.
A jovem estava desesperada, esperava que o chão finalmente chegasse e sua vida terminasse, mas isso não acontecia. Ela estava em uma queda eterna, cercado por nuvens, pássaros e o vento.
- Um sopro – sussurrou uma voz que Elizabeth já ouvirá, mas não conseguia lembrar a quem pertencia.
- Quem é você? Ajude-me, essa queda, eu não aguento mais! – Elizabeth implorou ajuda ao estranho, esperou por uma resposta, mas a espera foi em vão.
Eliza fechou os olhos, não queria mais olhar e nem sentir as nuvens, só queria que tudo terminasse. Quando voltou a abrir seus olhos já não estava mais em queda livre, agora a jovem estava em uma floresta, só que não era exatamente o tipo de floresta que Eliza conhecia, as árvores estavam lá, os arbustos, flores e folhas, mas tudo estava sem vida, todo estava em preto e branco.
A jovem olhou para cima, era impossível ver o céu, as copas das arvores eram o céu naquele lugar. Extremamente negro como a noite mais escura e mais ausente de estrelas.
A sombra de Eliza dançava ao seu redor, fazia brincadeiras e piruetas enquanto a jovem observava pasma.
‘’Acho que estou morta” pensou Elizabeth, só que a pobre garota não se lembrava de ter morrido.
Sua sombra deixou o chão, agora a estava encarando. A sombra sorriu, deixando um vazio onde o sorriso não podia ser preenchido, abraçou Elizabeth e desapareceu.
- Um sopro, um sopro, um sopro...’ A voz ecoava por todos os lados, era ensurdecedor. Elizabeth tampou os ouvidos com as mãos, mas o som continuou, era como se estivessem em sua mente, como se fossem seus pensamentos e então de súbita, a voz parou.
- Deixe sua alma em paz, garota. Ela é sua, pelo menos a alma... – Elizabeth virou-se e finalmente conseguiu ver quem dava origem a aquela voz, já tinha visto aquele homem, mas não conseguia lembrar seu nome.
- Você...você levou aquela espada negra até meu pai! Seu nome era....
- Zorem? Sim, mas guarde o nome para você, menina tola...
“Tola é sua mãe!” Eliza pensou em dizer, mas não pretendia ofender a aquele homem, talvez ele fosse sua única saída daquela estranha floresta sem cores. A menina colocou o peso do corpo no pé esquerdo, fitou o homem escuro em seu manto azul encapuzado por um longo tempo sem dizer nenhuma palavra. O vento soprou, Elizabeth suspirou e finalmente falou:
- Onde estamos? Me ajude a sair daqui, por favor!
- Estamos em um lugar onde coisas horríveis e também lindas podem acontecer, estamos em um sonho.
“Eu sou aquele que está em seus sonhos” foi a única coisa frase que Zorem direcionou a ela no dia em que o conheceu, Elizabeth enfureceu:
- Isso é um sonho? Então basta eu tirar minha própria vida que estarei de volta ao mundo, não preciso da sua ajuda seu maldito nortenho!
- Nortenho? Como tem tanta certeza da minha origem?
Elizabeth revirou os olhos
- Sua cor, você é escuro, todo nortenho é assim
- E só existe norte e sul? – respondeu Zorem e logo depois deu um sorriso cheio de dentes.
O homem misterioso removeu seu capuz revelando um ralo cabelo escuro, olhou para cima, sorriu e então sentou-se no chão. Elizabeth o fitou por um longo momento, estava preparada para ir até outro lugar quando Zorem fez sinal para que ela também se sentasse, Elizabeth puxou uma mecha de cabelo para trás e respondeu ao sinal:
- Você acha que vou ficar aqui conversando com você? Que imbecil! – A jovem deu as costas para Zorem e saiu vagando pela floresta, mas parou ao som da voz de Zorem:
- E se eu lhe contar uma lenda?
- Que tipo de lenda? – Respondeu Elizabeth, sem olhar para Zorem
- Uma lenda horrível, de um reino horrível
Eliza adorava lendas e histórias, ainda mais quando eram trágicas, decidiu sentar-se para ouvir.
Zorem sorriu e começou:
- Muito longe daqui, existem dois reinos que se diferem por localizações, mas na verdade são o mesmo pedaço de terra, por isso vamos levar em conta que são apenas um. Este é um lugar frio e horrível, cheio de monstros e criaturas terríveis.
Estes monstros comportam-se de maneira abominável, destroem tudo o que tocam e violam a mais pura das flores, apenas por achar que tem poder sobre tudo. Estes monstros desprezam o silêncio, adoram o som da própria voz e devoram a alma uns dos outros, deixando apenas o corpo.
O reino em questão é um lugar frio e sujo, os monstros vagam durante a noite e mais ainda durante o dia. Às vezes, alguns desses monstros não conseguem alimentar-se e então imploram por ajuda e na maioria das vezes, acabam devorando a própria honra.
Mas em meio a tanto terror, existem duas fadas, que observam tudo em silêncio e podem um dia acabar com todo esse sofrimento. Essa é a lenda que você nasceu para evitar, essa é a lenda do eterno e longo silêncio. – Ao fim da história, o silêncio tomou conta dos dois. Vozes tomaram conta da mente de Elizabeth:
- Corra, minha flor, Illar...procure por Illar....eu te amo... –
“Essa voz?” Elizabeth sabia de quem era, mas apenas por um segundo, logo depois ficou confusa e não soube ligar a voz a lembrança súbita que teve.
- Lenda do silêncio? Esse é o nome da lenda? Nunca ouviu falar! – a jovem finalmente quebrou o silêncio. Zorem baixou a cabeça e fitou o chão, a sua expressão era de pavor
- O que você sabe sobre as lendas? menina tola...
Elizabeth sorriu:
- Sei que as amo. As canções de guerra, os monstros, reis e demônios! Todas essas coisas só existem nas lendas, eu gostaria de viver em um mundo assim;
Zorem agora tinha uma expressão maníaca no rosto:
- Interessante, mas saiba que as lendas são como o silêncio, podem expressar nossos medos ou podem simplesmente ser sábias, talvez até mais do que todas as palavras do mundo. Elizabeth fechou a cara:
- Essa frase não fez o menor sentido. Qual era o nome do reino da lenda?
Zorem continuava a fitar o chão.
- Maros ou Taros, tanto faz
Elizabeth não entendeu.
- Maros é o nome do meu reino e Taros é o nome do reino do norte e saiba que não existem monstros lá, eu já procurei
Zorem ergueu a cabeça e fitou a jovem nos olhos. Sorriu e disse:
- Tem certeza?
Elizabeth não entendeu o que ele quis dizer com isso, quando pensou em perguntar, acordou, estava deitada em seu quarto e lembrava-se que seu dia seria bastante cheio.