Capítulo 4 - A dama silenciosa

Uma bela jovem de  pela clara e cabelos negros observava tudo enquanto tomava uma deliciosa xícara de mel doce, o melhor mel que já havia experimentado, cultivado na famosa cidade de Roventus, trazido de tão longe apenas para a família real.
Estava sentada em um grande jardim com flores e árvores por todos os lados, um belo e tranquilo lugar, localizado dentro de um grande castelo, dentro do Berço do rei.
- A bebida lhe agradou, senhorita? – perguntou uma jovem criada a dama que apreciava a bebida sorrindo, a mesma assentiu na hora.
A bela dama colocou delicadamente a xícara de volta na bandeja que se encontrava em cima de uma bela mesa branca próxima, ergue o pescoço e fitou o céu.
“Que lindo dia de sol, gostaria de cantar..impossível.” A dama era a única filha do rei do Sul, infelizmente seu pobre pai encontrava-se bastante debilitado, não o via a bastante tempo, o maldito curandeiro não deixava ninguém ver o rei.
Observava os pássaros nas árvores quando uma conhecida voz lhe chamou atenção, era Illar, comandante dos exércitos de seu pai.
- Que belo dia, não acha, Sara? – Sara assentiu, de fato, era um belo dia, o cavaleiro continuou – Sara, não quero tomar seu tempo, mas preciso lhe perguntar....Você conseguiu visitar seu pai? – Sara fez que não com a cabeça. – Entendo...bom, tenha uma bela manhã!  - O cavaleiro sorriu e seguiu seu caminho castelo adentro.
‘’É um leal cavaleiro, meu pai gosta dele, sinto que ele também se preocupa com o meu pai’’ pensou Sara e outra vez, teve vontade de cantar, mas sabia que era impossível. O fato era que Sara teve uma linda voz até seus doze anos, mas, em uma manhã de nevasca, quando todos os rios estavam congelados, a menina perdeu sua doce voz. Seu pai fez de tudo ao seu alcance. Chamou curandeiros de todos os cantos do reino, chegou até mesmo a chamar curandeiros do norte, mas ninguém conseguiu entender o que havia acontecido a pobre Sara. Desde então, passou a comunicar-se apenas com sinais, ou quando a pergunta era demasiada complicada, ela escrevia a resposta em um bloco que carregava consigo.
Sara levantou-se, ainda era cedo, pensou em voltar ao seu quarto e tirar um cochilo e foi o que fez.
A dama agora estava de pé em frente a um belo rio, sorriu e tirou uma faca de dentro do vestido, ergue a arma e cortou o próprio pescoço. Acordou querendo gritar.