Uma bela jovem de pela clara e cabelos negros observava
tudo enquanto tomava uma deliciosa xícara de mel doce, o melhor mel que já havia
experimentado, cultivado na famosa cidade de Roventus, trazido de tão longe
apenas para a família real.
Estava sentada em um grande jardim com flores e árvores por todos os lados, um
belo e tranquilo lugar, localizado dentro de um grande castelo, dentro do Berço
do rei.
- A bebida lhe agradou, senhorita? – perguntou uma jovem criada a dama que apreciava
a bebida sorrindo, a mesma assentiu na hora.
A bela dama colocou delicadamente a xícara de volta na bandeja que se
encontrava em cima de uma bela mesa branca próxima, ergue o pescoço e fitou o
céu.
“Que lindo dia de sol, gostaria de
cantar..impossível.” A dama era a única filha do rei do Sul, infelizmente
seu pobre pai encontrava-se bastante debilitado, não o via a bastante tempo, o
maldito curandeiro não deixava ninguém ver o rei.
Observava os pássaros nas árvores quando uma conhecida voz lhe chamou atenção,
era Illar, comandante dos exércitos de seu pai.
- Que belo dia, não acha, Sara? – Sara assentiu, de fato, era um belo dia, o
cavaleiro continuou – Sara, não quero tomar seu tempo, mas preciso lhe
perguntar....Você conseguiu visitar seu pai? – Sara fez que não com a cabeça. –
Entendo...bom, tenha uma bela manhã! - O
cavaleiro sorriu e seguiu seu caminho castelo adentro.
‘’É um leal cavaleiro, meu pai gosta
dele, sinto que ele também se preocupa com o meu pai’’ pensou Sara e outra
vez, teve vontade de cantar, mas sabia que era impossível. O fato era que Sara teve
uma linda voz até seus doze anos, mas, em uma manhã de nevasca, quando todos os
rios estavam congelados, a menina perdeu sua doce voz. Seu pai fez de tudo ao
seu alcance. Chamou curandeiros de todos os cantos do reino, chegou até mesmo a
chamar curandeiros do norte, mas ninguém conseguiu entender o que havia
acontecido a pobre Sara. Desde então, passou a comunicar-se apenas com sinais,
ou quando a pergunta era demasiada complicada, ela escrevia a resposta em um bloco
que carregava consigo.
Sara levantou-se, ainda era cedo, pensou em voltar ao seu quarto e tirar um
cochilo e foi o que fez.
A dama agora estava de pé em frente a um belo rio, sorriu e tirou uma faca de dentro
do vestido, ergue a arma e cortou o próprio pescoço. Acordou querendo gritar.