Já era noite, mas isso não significava que a cidade estava adormecida. Em uma taverna, a festa era tanta que o dia parecia estar apenas começando. Um
casal trocava carícias, bêbados estapeavam-se, mas nem lembravam o motivo de tal briga,
amigos jogavam cartas e um músico um tanto diferente preparava um estranho
instrumento.
Mesmo em meio a toda essa farra, um conhecido cavaleiro bebia em silêncio em um
canto mais afastado da taverna, apenas ele e seus pensamentos.
Estava velho, mal havia bebido dois copos de vinho e já estava com sono, não se alterava quando bebia, apenas ficava cansado.
Pensava em seu rei. Era comandante dos exércitos do grande rei, o primeiro rei do Sul a manter a paz durante anos, fora um honrado e justo rei, poucos camponeses ainda passavam fome e sempre que precisassem o rei lhes ajudava. Pelo menos fora assim até o rei adoecer. O rei começou a tossir sangue, um péssimo sinal. A doença piorou e o rei não foi mais visto. O curandeiro da família real disse que o rei estava debilitado e não poderia mais receber o povo e nem ninguém. Em seu lugar, o rei deixou seu irmão mais novo, que agora se autonomeava “voz real”.
‘voz real, hmft! Bosta real!’ pensou o cavaleiro. Desde que o irmão do rei passará a tomar conta do reino, tudo havia piorado, já havia chegado ao ponto de estarem quase em guerra com o norte, novamente.
Bebeu um longo gole do vinho, estava suave, exatamente como ele apreciava, baixou o copo, respirou e...outro gole.
- Mas olha só quem eu encontrei aqui se escondendo do mundo!
‘Oh ...merda’’ era seu grande amigo, Edson Karth, mais conhecido como armeiro Karth. Gostava muito daquele velho gordo, mas estava sem paciência para conversar até mesmo com seu melhor amigo na bela noite em questão
- Olá Edson, o que faz aqui a essa hora? Sua mulher sabe que está aqui?
- Minha mulh? Heim? Claro que não! Eu não aguentava mais ficar preso naquela casa, precisava me divertir um pouco sabe? Rá! – Edson Bateu na mesa.
’Mas é um bêbado idiota! Está chamando atenção da taverna toda’’. Rendeu-se
- Junte-se a mim para beber, estou sozinho.
- Como sempre, não é? “O cavaleiro solitário”, “O homem sem alma” é assim que lhe chamam, não é, Sir Illar Garth! Rá! – Bateu na mesa outra vez. Edson gostava de chamar atenção, ainda mais quando estava bêbado, pensou em responder quando o músico começou a fazer um som estranho em sua... Não sabia o que era aquilo. O “músico” era o conhcido Tony biruta, um sonhador local, todas as noites aparecia com um instrumento novo, dizia que era possível criar novos tipos de som...maluco na opinião de Illar, todos sabiam que os instrumentos foram criados por deuses, era impossível reproduzir algo além do que já existia. Tony chamou atenção de todos.
- Homens! ....mulheres - deu uma piscadela – Um viva ao reino de Maros! Um viva ao Sul! E um viva a meu novo instrumento! Acho que finalmente conseguiu um novo som, algo que irá tocar a alma de todos vocês. Amigos! escrevi uma bela canção, pensando em minha bela donzela, ouçam:
Estava velho, mal havia bebido dois copos de vinho e já estava com sono, não se alterava quando bebia, apenas ficava cansado.
Pensava em seu rei. Era comandante dos exércitos do grande rei, o primeiro rei do Sul a manter a paz durante anos, fora um honrado e justo rei, poucos camponeses ainda passavam fome e sempre que precisassem o rei lhes ajudava. Pelo menos fora assim até o rei adoecer. O rei começou a tossir sangue, um péssimo sinal. A doença piorou e o rei não foi mais visto. O curandeiro da família real disse que o rei estava debilitado e não poderia mais receber o povo e nem ninguém. Em seu lugar, o rei deixou seu irmão mais novo, que agora se autonomeava “voz real”.
‘voz real, hmft! Bosta real!’ pensou o cavaleiro. Desde que o irmão do rei passará a tomar conta do reino, tudo havia piorado, já havia chegado ao ponto de estarem quase em guerra com o norte, novamente.
Bebeu um longo gole do vinho, estava suave, exatamente como ele apreciava, baixou o copo, respirou e...outro gole.
- Mas olha só quem eu encontrei aqui se escondendo do mundo!
‘Oh ...merda’’ era seu grande amigo, Edson Karth, mais conhecido como armeiro Karth. Gostava muito daquele velho gordo, mas estava sem paciência para conversar até mesmo com seu melhor amigo na bela noite em questão
- Olá Edson, o que faz aqui a essa hora? Sua mulher sabe que está aqui?
- Minha mulh? Heim? Claro que não! Eu não aguentava mais ficar preso naquela casa, precisava me divertir um pouco sabe? Rá! – Edson Bateu na mesa.
’Mas é um bêbado idiota! Está chamando atenção da taverna toda’’. Rendeu-se
- Junte-se a mim para beber, estou sozinho.
- Como sempre, não é? “O cavaleiro solitário”, “O homem sem alma” é assim que lhe chamam, não é, Sir Illar Garth! Rá! – Bateu na mesa outra vez. Edson gostava de chamar atenção, ainda mais quando estava bêbado, pensou em responder quando o músico começou a fazer um som estranho em sua... Não sabia o que era aquilo. O “músico” era o conhcido Tony biruta, um sonhador local, todas as noites aparecia com um instrumento novo, dizia que era possível criar novos tipos de som...maluco na opinião de Illar, todos sabiam que os instrumentos foram criados por deuses, era impossível reproduzir algo além do que já existia. Tony chamou atenção de todos.
- Homens! ....mulheres - deu uma piscadela – Um viva ao reino de Maros! Um viva ao Sul! E um viva a meu novo instrumento! Acho que finalmente conseguiu um novo som, algo que irá tocar a alma de todos vocês. Amigos! escrevi uma bela canção, pensando em minha bela donzela, ouçam:
'Calma como a água calma como o céu
minha bela donzela é um mel
Azuis são seus olhos e brilham como o céu
Ó donz'...ouviu-se um guincho. Uma a uma as cordas do instrumento de Tony biruta soltaram e o mesmo já não existia mais. Illar agradecia por isso, desconfiava que as cordas deveriam ser feitas de pelo de ratazana já que o som do instrumento era muito semelhante ao de um rato em apuros, não conteve-se e deixou escapar um comentário.
- Mas que grande porcaria! Esse Tony desonra o nome dos bardos!
Não devia ter dito aquilo, o pobre músico saiu com a cabeça baixa resmungando alguma coisa, deixando para trás seu instrumento destruído, que com certeza tinha alguma ligação com ratos.
- Viu só? Eu preciso desse tipo de diversão, há!
- Chama isso de diversão? Bem, como está sua família?
- Ah Illar, sabe que gosto muito daquela velha ursa. Meu moleque é um pouco chorão, mas é da idade, já Elizabeth, essa está me fazendo perder os cabelos
‘Cabelos? Não tem nenhum’ pensou em dizer, mas entendeu a “piada” do amigo
- A velha história da espada?
- Isso mesmo, ela insiste em sair por aí lutando com todo mundo, um cavaleiro de vestido!
- Isso é admirável, Edson, devia apoia-la. Ela puxou você, adora uma confusão. Acho que tem um pouco haver com a cor do cabelo, cor de fogo, cor de sangue.
- Ela é uma donzela, Illar, e deve se portar como uma! Mas deixemos isso de lado, e a Lisa?
‘Oh não...’’ Não queria falar sobre Lisa, era seu segredo, nunca deveria ter contado a Edson. Illar admirava a bela donzela todos os dias, conversava com ela sempre que possível, ele a amava, mas sabia que nunca iria acontecer nada entre os dois, seu dever era com o reino, a amava de mais para colocar sua vida em perigo. Tentou fugir do assunto
- Acho que estou com sono...
- Ah pelos deuses, Illar! Você já lutou contra milhares de soldados, liderou guerras e tem medo de um rabo de saia? Por favor!
- Vá se foder, Edson! você sabe que não é isso. Não posso, sou um cavaleiro, meu dever é para com o reino.
- Não precisa se casar, só pegue ela!
Edson não entendia. Não era assim que Illar pensava, ele a amava de verdade, não era só atraído por sua beleza, sua sabedoria era o que mais lhe chamava atenção. Seu dia já estava péssimo, não queria começar a pensar no assunto, não queria voltar a saber que nunca poderia ama-la, voltou ao assunto anterior.
- Deixe sua filha praticar, Edson, outra vez, é admirável, isso prova que ela é uma verdadeira Karth
- Eu não vou treinar uma menina, se quer tanto ver ela com uma espada na mão, vá em frente e a treine
- Não, obrigado - Respondeu Illar e novamente saboreou o suave vinho que estava bebendo.
- Rá! - Fui tudo que Edson "disse" e logo depois teve um ataque de risos. Illar achou aquilo vergonhoso, chamou atenção da taverna toda.
’Esse gordo vai me pagar’ continuou:
- Acabou?
- Viu só? Nem você quer a ver balançando uma espada por aí
- Eu estou velho, já vivi quarenta e oito anos, não conseguiria treina-la. Não tenho muita paciência com crianças
- Verdade, você é um ancião, passe uma faca na garganta e faça um favor para nós jovens
- Edson, você é mais velho do que eu
- PROVE! RÁ!
E outra vez Edson caiu na gargalhada, dessa vez Illar também riu. Bebeu um ultimo gole do vinho e despediu-se de Edson. O velho cavaleiro vagou pela noite em direção ao grande castelo real. O berço do rei, era como o castelo era conhecido, um bom nome considerando que o nome da cidade era Berço das estrelas. Illar partiu vagando na escura noite, pensando em Lisa.
minha bela donzela é um mel
Azuis são seus olhos e brilham como o céu
Ó donz'...ouviu-se um guincho. Uma a uma as cordas do instrumento de Tony biruta soltaram e o mesmo já não existia mais. Illar agradecia por isso, desconfiava que as cordas deveriam ser feitas de pelo de ratazana já que o som do instrumento era muito semelhante ao de um rato em apuros, não conteve-se e deixou escapar um comentário.
- Mas que grande porcaria! Esse Tony desonra o nome dos bardos!
Não devia ter dito aquilo, o pobre músico saiu com a cabeça baixa resmungando alguma coisa, deixando para trás seu instrumento destruído, que com certeza tinha alguma ligação com ratos.
- Viu só? Eu preciso desse tipo de diversão, há!
- Chama isso de diversão? Bem, como está sua família?
- Ah Illar, sabe que gosto muito daquela velha ursa. Meu moleque é um pouco chorão, mas é da idade, já Elizabeth, essa está me fazendo perder os cabelos
‘Cabelos? Não tem nenhum’ pensou em dizer, mas entendeu a “piada” do amigo
- A velha história da espada?
- Isso mesmo, ela insiste em sair por aí lutando com todo mundo, um cavaleiro de vestido!
- Isso é admirável, Edson, devia apoia-la. Ela puxou você, adora uma confusão. Acho que tem um pouco haver com a cor do cabelo, cor de fogo, cor de sangue.
- Ela é uma donzela, Illar, e deve se portar como uma! Mas deixemos isso de lado, e a Lisa?
‘Oh não...’’ Não queria falar sobre Lisa, era seu segredo, nunca deveria ter contado a Edson. Illar admirava a bela donzela todos os dias, conversava com ela sempre que possível, ele a amava, mas sabia que nunca iria acontecer nada entre os dois, seu dever era com o reino, a amava de mais para colocar sua vida em perigo. Tentou fugir do assunto
- Acho que estou com sono...
- Ah pelos deuses, Illar! Você já lutou contra milhares de soldados, liderou guerras e tem medo de um rabo de saia? Por favor!
- Vá se foder, Edson! você sabe que não é isso. Não posso, sou um cavaleiro, meu dever é para com o reino.
- Não precisa se casar, só pegue ela!
Edson não entendia. Não era assim que Illar pensava, ele a amava de verdade, não era só atraído por sua beleza, sua sabedoria era o que mais lhe chamava atenção. Seu dia já estava péssimo, não queria começar a pensar no assunto, não queria voltar a saber que nunca poderia ama-la, voltou ao assunto anterior.
- Deixe sua filha praticar, Edson, outra vez, é admirável, isso prova que ela é uma verdadeira Karth
- Eu não vou treinar uma menina, se quer tanto ver ela com uma espada na mão, vá em frente e a treine
- Não, obrigado - Respondeu Illar e novamente saboreou o suave vinho que estava bebendo.
- Rá! - Fui tudo que Edson "disse" e logo depois teve um ataque de risos. Illar achou aquilo vergonhoso, chamou atenção da taverna toda.
’Esse gordo vai me pagar’ continuou:
- Acabou?
- Viu só? Nem você quer a ver balançando uma espada por aí
- Eu estou velho, já vivi quarenta e oito anos, não conseguiria treina-la. Não tenho muita paciência com crianças
- Verdade, você é um ancião, passe uma faca na garganta e faça um favor para nós jovens
- Edson, você é mais velho do que eu
- PROVE! RÁ!
E outra vez Edson caiu na gargalhada, dessa vez Illar também riu. Bebeu um ultimo gole do vinho e despediu-se de Edson. O velho cavaleiro vagou pela noite em direção ao grande castelo real. O berço do rei, era como o castelo era conhecido, um bom nome considerando que o nome da cidade era Berço das estrelas. Illar partiu vagando na escura noite, pensando em Lisa.