‘Eu sou a espada’ a jovem donzela segurou o cabo da longa espada
de madeira com toda a força. ‘Alma e lâmina,
somos uma só’ suspirou, focalizou seu alvo e lançou um golpe certeiro...
Que acertou o chão.
- Mas que porcaria! Era pra ter acertado a abóbora! - Mas não desistiu, outra
vez ergueu sua arma, suspirou e fechou os olhos; ‘Você consegue!’ mirou na
grande abóbora, curvou-se e lançou-se em uma investida contra a fruta... Pelo
menos era o que esperava ter feito, pouco antes da “madeira” encontrar-se com o
alvo a mesma colidiu com uma lâmina e partiu-se ao meio.
- Mas que droga, pai! Não vê que estou treinando?
Acontece que pouco antes da pobre garota quase assassinar a fruta, seu ataque
foi impedido pela lâmina de seu pai, o armeiro.
- Quantas vezes já lhe disse pra não brincar com essas coisas? Você é uma
donzela, não um escudeiro! Sua mãe não vai ficar nem um pouco feliz quando saber disso
A jovem enrubesceu, não por estar com vergonha, era a raiva.
Não entendia o motivo de não poder treinar com a espada, não entendia como isso
podia fazer com que ela deixasse de ser uma dama. Queria dizer isso ao seu
pai, mas preferiu sair correndo em direção a sua casa, seria melhor assim.
A jovem entrou correndo em casa, sujando todo o chão de barro.
- Eliza! Onde tá minha espada? - Choramingou um pequeno menino de cabelo desgrenhado.
- Ah, cala essa boca moleque!
Elizabeth deu um soco “de nada” na cabeça de seu irmão mais novo. Ela não
estava com paciência para aturar aquele pirralho chorão
- Vou contar pra mamãe! – guinchou seu pequeno irmão
- É, conta que eu esfrego essa sua cara de paspalho no barro!
Por essa ele não esperava, pelo menos era o que ela achava, já que o menino
ficou calado.
‘que milagre!’ pensou Elizabeth. Seu irmão raramente ficava calado, em condições normais o pequeno garoto começaria a chorar e destruir tudo ao seu redor.
Elizabeth entrou em seu pequeno quarto e deitou-se em sua cama. Queria chorar, mas não podia,
chorar era coisa de criança, ela já não era mais um bebê, já tinha quinze anos!
Não entendia porque era obrigada a tricotar, cozinhar e limpar. Não gostava
disso, queria aventurar-se pelo mundo, conhecer montanhas, vales e quem sabe, se tivesse bastante sorte, ver alguma criatura que só existia em livros, como um gigante
ou até mesmo um dragão.
A verdade era que o mundo era bem sem graça, em seus livros de história,
fantásticas guerras foram travadas contra gigantes, chomts e demônios.
Os tempos eram tão sombrios que foi preciso uma trégua entre o norte e o sul
para que o sombrio fosse banido do mundo.
No final, os sábios sacrificaram todo o saber para banir a criatura para sempre
das terras dos reinos, a criatura se foi e junto dela, toda a magia também.
“Ó que tempos horríveis!” Todos diziam,
e Elizabeth sabia como uma guerra poderia ser cruel, mas não se importava,
preferia lutar contra demônios todos os dias ao ter que viver uma vida tão vazia.
Se ao menos soubesse lutar com uma espada, ou com um arco, tentava todos os
dias, mas não era boa e quase sempre era pega no ato e levava bronca de seu
pai, e falando em seu pai, ele acabará de entrar em seu quarto.
- Eliza, isso tem que parar...
- O que? Eu não fiz nada, só estava praticando!
- Elizabeth Karth, Você não pode usar uma espada! Você é uma menina, vai se
casar um dia. Precisa aprender com sua mãe como deve agir, como se portar, você
precisa ser o que nasceu pra ser...
‘Preciso ser o que você quer que eu seja!’ pensou em dizer, mas não conseguia,
gostava muito de seu pai e não queria criar confusão, tudo que conseguiu dizer
foi:
- Tudo bem, desculpe, pai
- Hmm! da ultima vez você disse o mesmo e hoje lá estava você tentando
assassinar a pobre abóbora pela oitava vez.
‘Ele me conhece’ sorriu Elizabeth. Ele tinha razão, ela sempre dizia o mesmo e voltava a
desobedecer, não podia controlar, estava no sangue de seu clã. Gostava de
desafios. Por sorte seu pai saiu apenas dizendo:
- Espero não ter que quebrar outra de suas espadas de madeira
...Não eram dela, eram de seu pequeno irmão George, podia quebrar quantas
quisesse.
Ouviu o baque da porta da casa, aguardou alguns minutos e correu para fora, com
outra espada de madeira, outra vez de seu irmão.