A
névoa enchia a grande floresta, não só neste dia, mas em todos os dias desde a
criação.
- Um sopro – sussurrou a criatura que se esgueirava entre o labirinto de árvores
que, graças à névoa, pareciam não ter cume.
Seu grande manto azul dançava perante o vento sem fim. Isso só fazia com que a
criatura odiasse mais e mais o vento.
As árvores eram negras e o restante branco, pois aquele não era o mundo dividido
em reinos, era um local onde o sofrimento não tinha fim, onde as luzes e as
sombras dançavam juntas, era o mundo em preto e branco.
A criatura vagou por horas, dias e até semanas em busca de uma saída, mas o
cenário era sempre o mesmo. Árvores que pareciam todas iguais. Não conseguia
ver se haviam folhas, mas o vento já provara que elas existiam, talvez acima da
grande névoa.
- Prenderam-me no vazio, pois não funcionará! – Sussurrou a criatura para o vento. A criatura levantou o braço esquerdo, mas não havia mão, apenas uma forma que dançava
como uma mancha no rio mais transparente. Tirou seu capuz, mas não havia nada
em seu rosto, apenas o espanto, o rosto da criatura era o medo.
- Luz, trevas, bobagem! Só existe o vazio com qual irei preencher as almas de
todos aqueles que vivem na falsa justiça, um sopro.
A criatura desapareceu porem seu manto ficou dançando ao vento. Silêncio, em um
mundo em preto e branco.